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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ATENTADO CULTURAL - LIVROS PRECISAM CIRCULAR

"Livro precisa circular. Livro sem leitor é rio seco, jardim sem flor, céu nublado" Gift e frase tirados deste blog
ATENTADO CULTURAL - Movimento que está circulando no facebook e compartilho com vocês, queridos amigos:
"No sábado, dia 20, façamos a diferença. Deixe um livro (você sempre tem um que não lerá mais) num ponto de ônibus, praça de alimentação, banco de jardim, balcão de padaria, açougue, farmácia... Se você apoia esta ideia, compartilhe e divulgue em outras mídias. UM DIA = UM LIVRO. 20 DE AGOSTO. UM SÁBADO "A GOSTO". Com dedicatória no livro ainda fica mais legal."
Minha amiga querida Jussara, do blog Juju, sugere esta dedicatória: "Não estou perdido, sou um livro livre. " Eu acrescentarei nos meus: "Leia e repasse".

Lendo alguns artigos sobre a importância da leitura, encontrei este,muito bom, que copio com a devida autorização do blogueiro Anibal Bragança.

"Literatura, filosofia e amizade – Drummond e Sloterdijk O que há de mais importante na literatura, sabe? é a aproximação, a comunhão que ela estabelece entre seres humanos, mesmo à distância, mesmo entre mortos e vivos. O tempo não conta para isso. Somos contemporâneos de Shakespeare e de Virgílio. Somos amigos pessoais deles. Se alguém perto de mim falar mal de Verlaine, eu o defendo imediatamente; todas as misérias de sua vida são resgatadas pela música de seus versos. Como defenderia um amigo pessoal. (...) o maior prêmio de Estocolmo ou dos Estados Unidos não vale o telegrama de amor que alguém desconhecido, e que não conheceremos nunca, nos manda lá do Pará porque leu uma coisa nossa e ficou comovido e rendido. Carlos Drummond de Andrade, Tempo, vida, poesia. Confissões no rádio. Rio de Janeiro: Record, 1986, p. 58 * Livros, observou certa vez o escritor Jean Paul [1763-1825], são cartas dirigidas a amigos, apenas mais longas. Com esta frase ele explicitou precisamente, de forma graciosa e quintessencial, a natureza e a função do humanismo: a comunicação propiciadora de amizade realizada à distância por meio da escrita. O que desde os dias de Cícero se chama humanitas faz parte, no sentido mais amplo e no mais estrito, das conseqüências da alfabetização. Desde que existe como gênero literário, a filosofia recruta seus seguidores escrevendo de modo contagiante sobre amor e amizade. Ela é não apenas um discurso sobre o amor à sabedoria, mas também quer impelir outros a esse amor. Que a filosofia escrita tenha logrado manter-se contagiosa desde seus inícios, há mais de 2.500 anos, até hoje, deve-se ao êxito de sua capacidade de fazer amigos por meio do texto. (...) Faz parte das regras do jogo da cultura escrita que os remetentes não possam antever seus reais destinatários; não obstante, os autores lançam-se à aventura de pôr suas cartas a caminho de amigos não-identificados.
Peter Sloterdijk, Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo. Trad. de José Oscar de Almeida Marques. S. Paulo: Estação Liberdade, 2000, p. 7-8.

 Depois de citar dois grandes autores, Anibal Bragança continua: "Não resisti a registrar a coincidência de posições sobre o maior valor da literatura e da filosofia, entre nosso poeta maior, definida em entrevista concedida a Lya Cavalcanti, em programa na Rádio MEC, só muito tempo depois transcrita e publicada, no livro Tempo Vida Poesia, que merece ser revisitado, e a do polêmico filósofo alemão, nascido em 1947, e autor, também, de O desprezo das massas. Ensaio sobre lutas culturais na sociedade moderna. Para mim, sem qualquer dúvida, os livros foram ponte para a construção de amizades, distantes e, especialmente, próximas. Tudo começou quando, em 1966, iniciei minha atividade de livreiro em Niterói (Encontro, Diálogo, LUFE, Centro do Livro/Livros para Todos, Pasárgada), que se estendeu até 1986. Foram 20 anos fazendo muitos amigos e amigas através de livros e leituras. E vivi ainda, tempos depois, a breve experiência, da criação do Sebo Fino. Na Universidade, em relação mais delicada e complexa com alunas e alunos, tivemos sempre livros como mediadores, às vezes felizes outras nem tanto. Já então se iniciava um tempo em que, mesmo no ensino superior ler livros ou mesmo capítulos, se faz, em geral, com alguma resistência, maior ou menor. As exceções, de jovens aficicionados pela leitura, confirmam a regra e trazem muitas recompensas. Quando foi publicado o Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia, em 1999, ah!, quantas alegrias, dessas a que se refere o Drummond. Com alguns leitores, ficamos amigos 'para sempre' a partir da história de Silvestre Mônaco e sua livraria em Niterói. E você, rara leitora e leitor, tem alguma história de amor ou de amizade construída a partir de livros e leituras, como nos indicam Drummond e Sloterdijk? Acrescente seu comentário"

Portanto, amigos, participem, colaborem ,divulguem. O que mais precisamos no momento, neste país, é contribuir para aumentar a cultura das pessoas. Bjs da Arteira

terça-feira, 31 de maio de 2011

"Duzentos anos depois e o Novo Mundo"

Já postei sobre o livro "200 anos depois" de autoria do meu irmão  Luiz Antonio Duque e hoje volto para dividir com vocês a alegria de ler mais uma reportagem  sobre ele , publicada no Jornal A Voz da Cidade, da região sul fluminense. Copio aqui a reportagem online. Depois publicarei as fotos que a acompanham .

"Dia 30/05/2011 de maio de 2011, às 0h0

Duzentos anos depois e o Novo Mundo
Um mundo sem corrupção, sem drogas, sem poluição, onde saúde, alimentação, educação e moradia, condições essenciais à sobrevivência, são direito de todo ser humano e ninguém paga por nada disso. Nesse mundo não há prisão, são punidos por percas em seu cartão magnético que concede benefícios.

Um mundo onde pessoas qualificadas são escolhidas para governar, onde não há desigualdade social, neste mesmo mundo todos os seres humanos acima de 15 anos, trabalham quatro horas dia. Casas não são muradas, carros são por controles remotos. Sonho? Utopia? Loucura?

Em 2027, após a Terceira Guerra Mundial, o mundo em que nós vivemos acaba. Após uma nova contagem de tempo; 188 anos depois, surge um novo planeta: O Novo Mundo, criado pelo escritor barramansense Luiz Antônio Duque, através de seu livro 200 anos depois.

Em seu primeiro livro, o autor mistura todos os elementos para um bom enredo, o que resulta em seu objetivo final. “Escrevi um livro que proporcionasse a reflexão, que as pessoas pensassem em suas ações. O mundo pode ser melhor, basta querer”, citou, revelando que já tem outros seis livros escritos, aguardando publicação.

E ainda há novidades vindo por ai, o livro pode resultar em um filme. “Tenho um amigo americano que está traduzindo o livro para o inglês e já há uma produtora interessada em filmar a história”, contou entusiasmado.

O livro foi escrito quando o jovem Luiz Antônio, morava em Macapá, os dias se arrastavam e ele resolveu escrever uma história, que foi engavetada. Mudou-se anos mais tarde para Barra Mansa e em 2010, relendo aqueles papeis amarelados a família o pressionou para publicá-lo. O livro pode ser comprado no Ano Bom Palace Hotel, e nos sites da livraria Cultura, livraria Loyola, e Asabeça.
SINOPSE

Lucas, apreciando a noite no rancho, vê uma estranha luz descer do céu e é fortemente atraído por ela. Chegando perto, desmaia e , quando acorda, encontra uma caixa metálica com um livro que conta a história de Roland, um astronauta que no ano de 2015 rompe a barreira do tempo e cai 200 anos no futuro.

Lá vivencia um outro mundo e conhece o seu grande amor. Vivem um romance que desafia as leis do tempo e do espaço. Obrigado, porém, a voltar ao ano de 2015, vê sua vida mudar completamente… Como será o mundo daqui a 200 anos? Como você imagina esse mundo? Mais violento ou mais humano? Mais guerra ou mais justiça? O AMOR será ainda um sentimento valorizado no futuro ou as pessoas não mais se importarão umas com as outras?

“Você vai viajar junto com o casal do futuro até o Egito antigo, da época dos faraós, e pode mudar seu conceito sobre ET´s e discos voadores. Esta é uma história envolvente, recheada de emoção, aventura, suspense e amor, que vai mexer com a sua cabeça. Você não será mais o mesmo depois de ler…200 anos depois”, desafia Luiz Antônio.
AUTOR

Empresário do ramo de Hotelaria, em Barra Mansa, Luiz Antônio Duque, 63 anos; vem de origem humilde. Nasceu em uma chácara em Barra do Piraí, começou a trabalhar ainda criança para contribuir com o sustento de sua numerosa família. Destacava-se entre os colegas da escola pelas histórias que criava, porém, só agora decidiu publicar uma de suas obras, incentivado pela família e amigos." Publicado aqui

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sorteio de 2 livros no blog "200 anos depois"


Sorteio de 2 livros:
"200 anos depois" e mais um à sua escolha - "O discurso do REi" ou "A Cabana".
Não perca!!!
Confira regulamento no blog  200 Anos Depois

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Livro - 200 ANOS DEPOIS - Como será o futuro?

Lucas, apreciando a noite lá no rancho, vê uma estranha luz descer do céu e é fortemente atraído por ela. Chegando perto, desmaia e , quando acorda, encontra uma caixa metálica com um livro que conta a história de Roland, um astronauta que no ano de 2015 rompe a barreira do tempo e cai 200 anos no futuro.

Lá vivencia um outro mundo e conhece o seu grande amor. Vivem um romance que desafia as leis do tempo e do espaço. Obrigado, porém, a voltar ao ano de 2015, vê sua vida mudar completamente...


Como será o mundo daqui a 200 anos? Como você imagina esse mundo? Mais violento ou mais humano? Mais guerra ou mais justiça? O AMOR será ainda um sentimento valorizado no futuro ou as pessoas não mais se importarão umas com as outras? Luiz Antonio Duque, meu irmão, empresário e escritor, tem a sua versão que divide conosco nessa interessante história que mescla ficção e realidade. Indico o livro porque acompanhei a história nascendo, capítulo a capítulo, tive a alegria de ser uma das primeiras pessoas a lê-lo pronto e gostei do enredo do começo ao fim.
"Você vai viajar junto com o casal do futuro até o Egito antigo, da época dos faraós, e pode mudar seu conceito sobre ET´s e discos voadores. Esta é uma história envolvente, recheada de emoção, aventura, suspense e amor, que vai mexer com a sua cabeça. Você não será mais o mesmo depois de ler...200 anos depois"

Se você gosta de uma boa leitura, não deixe de ler esta obra.

Mais informações aqui ou pelo meu email: veronicaarteira@gmail.com

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sobre o sorteio: REGRINHA EXTRA!

Queridos participantes, eis a regrinha extra:
Estou fazendo 3 sorteios:
-um juntamente com meu outro blog palavrArteira :
-outro juntamente com o blog Casa das Bonecas de Pano de Ipiabas : Boneca e sua gata
-e o terceiro só do blog Veronica Arteira : Bolsa em patchwork
Pois bem, quem participar dos 3 sorteios, tem mais uma chance em todos eles.
Participação no sorteio do Livro - 1 chance se seguiu todos os passos
2 chances se linkou o sorteio e avisou no post
3 chances se participou dos 3 sorteios
Participação no sorteio da Boneca e sua gata: -
1 chance se se inscreveu(comentário nos dois blogs)
2 chances se já é seguidor de um dos blogs
3 chances se é seguidor e linkou o sorteio no seu blog e avisou no post.
4 chances se participou dos 3 sorteios
Participação no sorteio da Bolsa: 1 chance se se inscreveu
2 chances se é seguidor ou linkou o sorteio no blog e avisou no post
3 chances se participou dos 3 sorteios
Por que esta regrinha?
-Primeiro, porque todos queremos que nossos blogs sejam conhecidos e, se forem apreciados, os amigos voltarão, certamente.
-Segundo porque quero divulgar o trabalho maravilhoso da minha prima, Leila das Bonecas.
-Terceiro, porque gostaria muito que mais pessoas lessem sobre o artigo :Ler é chato. Será? , para refletirem sobre a importância da leitura e difundir essa prática tão prazerosa e necessária .
Agora, o mais importante: COMO REALIZAR TUDO ISSO É DEMORADO, ADIEI O SORTEIO PARA A NOITE DE 3 DE MAIO DE 2010, PARA QUE TODOS TENHAM TEMPO DE PARTICIPAR DOS 3, SE QUISEREM, E EU TAMBÉM TENHA TEMPO DE RELACIONAR TODOS.
E.... DEVIDO A ESSE ADIAMENTO, OS 3 FELIZES SORTEADOS RECEBERÃO TAMBÉM, CADA UM, UM PEQUENO BRINDE SURPRESA, INDEPENDENTE DA REGRINHA EXTRA!
BOA SORTE!!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mais sorteio!!! Uma bolsa em patchwork!

-3º Sorteio - Uma bolsa em patchwork .

Ainda no embalo das comemorações de aniversário do mês de Abril, mais um sorteio.
Este é bem simples:

-Deixe seu nome, blog ou site, email e a cidade onde mora neste post até 29/04.Alterado para dia 03 de maio , até às 12:00 h.


Sorteios anteriores - todos serão sorteados no dia 30/04

-1º-Sorteio: Livro . Clique aqui
-2º-Sorteio : Boneca e sua gata. Clique aqui

Boneca e sua gata, doada pela Casa das Bonecas de Pano de Ipiabas

Lembrete: No dia 29 há uma regrinha extra, quem já está inscrito em algum dos sorteios e se lembrar de passar por aqui, vai gostar.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Primeiro sorteio! Livro: "Pais brilhantes, Professores fascinantes"

Como adoro ler, o primeiro prêmio tinha de ser um livro. Inscrições até dia 29/04/10 , e as instruções para o sorteio você lê no meu blog palavrArteira clicando aqui .



PAIS BRILHANTES, PROFESSORES FASCINANTES - resumo escrito por Chicovsky

Pais e professores brilhantes são semeadores de idéias e não controladores dos filhos.Ninguém se diploma na tarefa de educar , aprende educando. A vida é uma grande escola que pouco ensina aos que não sabem ler a realidade que os cerca.
O professor fascinante é um artesão da personalidade , um poeta da inteligência , um semeador de idéias.Professores fascinantes devem formar pensadores que são autores da sua história. Devem multiplicar homens que pensam em nossa realidade. Eles transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiências.
Professores fascinantes usam a memória como suporte da arte de pensar , o que contribui para desenvolver nos alunos: o pensar antes de agir , expor e não impor idéias , consciência crítica, a capacidade de debater , de questionar , de trabalhar em equipe.A memória humana é um canteiro de informações e experiências para que cada um de nós produza um fantástico mundo das idéias.Os professores fascinantes resolvem os conflitos em sala de aula. Este hábito contribui para desenvolver nos alunos: a capacidade de resolver e superar a ansiedade , resolução de crises interpessoais , socialização , resgate de liderança do EU nos focos de tensão. Professores fascinantes , educam para a vida , promovendo a auto- estima.Professores e pais fascinantes devem cumprir com a palavra dada. A confiança é um edifício difícil de ser construído , porém fácil de ser demolido e muito mais difícil ainda de ser reconstruído. Não importa o tamanho de seus obstáculos , mas o tamanho da sua motivação para superá-los.

Para reflexão no seu dia – a- dia...
Se metade do orçamento dos gastos militares e guerras no mundo fosse investido em educação , os generais poderiam ser transformados em jardineiros , os policiais em poetas e os psiquiatras em músicos.A violência , a fome , o medo , o terrorismo , o os problemas emocionais estariam somente nas páginas dos dicionários e não nas paginas de nossas vidas. Pense nisto... (Chicovsky)

Pais brilhantes, professores fascinantes Originalmente publicado no: Shvoong

sábado, 20 de março de 2010

Dia do Artesão - 19 de março - A moça tecelã


No Dia do Artesão lembrei-me deste conto da Marina Colasanti, que aprecio tanto. Podemos fazer inúmeras leituras do texto, e a cada releitura, novos significados.


A Moça Tecelã
Conto de Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.


Doze reis e moça no labirinto do vento - 2ª ed. Rio de Janeiro - Nórdica - 1985