quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Revirando coisas...

De vez em quando encontro algo que escrevi há algum tempo. Muita coisa se perdeu, porque não tinha a preocupação de guardá-las. E noto duas presenças constantes na minha palavra: nostalgia e saudade... Acho que isso vai me perseguir pelo resto da vida, não tenho como mudar. Ainda bem que esses momentos nostálgicos não têm a freqüência perigosa para transformá-los em depressão. São momentos, apenas. E acho que escrevo melhor movida por esses sentimentos.
Este texto que encontrei, não tem data, mas presumo que tenha sido escrito há uns 6/7 anos.

"PERDAS

HOJE, DOMINGO DE SOL. SOZINHA EM CASA, AVALIO AS MINHaS PERDAS
PERDI OS FILHOS PEQUENOS PORQUE CRESCERAM,VIRARAM HOMENS, TÊM SUAS VIDAS TOTALMENTE À PARTE DE MIM, CAMINHAM SEM MIM...
PERDI MÃE, PAI, AVÓ QUE SE FORAM, COM A BENÇÃO DE DEUS, NUMA IDADE AVANÇADA, E COM ISSO, TIVE OPORTUNIDADE DE TÊ-LOS AO MEU LADO POR MUITOS ANOS , APRENDER COM ELES E ENSINAR, ATRAVÉS DELES, O QUE APRENDI.
PERDI ALGUNS AMIGOS QUE FICARAM NA ESTRADA DA VIDA E TOMARAM RUMOS DIFERENTES.
PERDI A FAMÍLIA QUE SE DESINTEGROU COM A AUSÊNCIA DA SUA BASE: MAMÃE.
PERDI PESSOAS QUE, DE ALGUMA FORMA, ESTIVERAM PRESENTES EM MINHA VIDA E UM DIA SE FORAM.
PERDI MOMENTOS QUE FORAM ÚNICOS, PASSARAM E SÓ DEIXARAM A LEMBRANÇA.
TARDES DE DOMINGO, DIFERENTES DESSA, MUITOS SORRISOS, MUITA BRINCADEIRA, GELADEIRA CHEIA DE GULOSEIMAS, TODOS OS SONS LIGADOS, BARULHO EM TODA A CASA, TELEFONE QUE NÃO PARAVA, CAMPAINHA QUE NÃO DAVA FOLGA, CRIANÇAS PRA TODO LADO...
TUDO, TUDO QUE A GENTE TANTO QUIS, TANTO CURTIU, SÓ PERMANECE NA LEMBRANÇA...
E EM SEU LUGAR, FICA ESSA NOSTALGIA, ESSA ANGÚSTIA...
TUDO QUE NOS FAZIA TÃO FELIZ, ESTÁ, HOJE, TÃO DISTANTE...."

Um dia escreverei sobre meus ganhos... que são muitos!!! Bem maiores que as perdas, certamente, porque sobrevivi...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Espalhando o saber...

Na semana passada, 27 de agosto, foi o lançamento do livro A linguagem: teoria, ensino e historiografia, editado pela Nova Fronteira/Lucerna, do meu queridíssimo professor Carlos Eduardo Falcão Uchôa, ganhador do prêmio Francisco Alves da Academia Brasileira de Letras, como já noticiei aqui.
O evento aconteceu na Livraria Unibanco Arteplex, em Botafogo, espaço amplo, aconchegante e de fácil localização. Foi uma noite de alegria por poder participar de um momento significativo como este, quando um professor tão especial divide seu conhecimento, suas idéias, sua teoria conosco. Citando Leonor Lopes Fávero, que prefaciou a obra, é uma publicação que amplia “os limites do conhecimento que se tem sobre a matéria”.
Para iluminar mais ainda a noite, reencontrei amigas e professores da pós do Liceu . Lamentei termos chegado tarde e não encontrarmos os outros professores que saíram cedo. Com o Professor Uchôa, foi só uma conversa rápida e uma dedicatória cheia de carinho, porque a função dele lá, distribuindo autógrafos e ouvindo elogios dos fãs, não parava. Conversamos rapidamente também com o Prof. Bechara , dono de uma simpatia a toda prova, e que é meu ídolo desde os tempos de faculdade, e nos divertimos bastante com o Prof. Rosalvo. Uma figura, esse homem de 82 anos. Incrível como ele não aparenta a idade, nem no físico, nem na conversa. Dono de uma sabedoria ímpar, com histórias deliciosas sobre seu tempo todo de professor, nos faz rir e apreciar bastante a sua companhia. Ah...e reencontrei Valderez...Valderez, Valderez, como a cumprimentava o Prof. Uchôa quando entrava na sala de aula. Conviver com ela por um ano, quase diariamente, foi um privilégio. Desses raros privilégios que a gente tem. Sinto muito sua falta. Ela é inteligente, escolada, batalhadora, divertidíssima, exímia conhecedora do Rio de Janeiro. Combinamos tanta coisa no período da pós, que não tivemos tempo de fazer... Ela me ciceronearia por diversos lugares do Rio, que conhece bem. Mas oportunidade não faltará, ainda faremos loucuras juntas. Não posso deixar de citar as meninas que estavam lá, que adorooooooooooo também: Lúcia e Janice, que são minhas companheiras maravilhosas de Niterói, sempre atenciosas e a quem sigo fielmente. Tem algo no Rio? Elas vão? “To dentro!”; Marise e Elaine, que não nos deixam de fora das novidades, mandando mensagem pelo Orkut, emails, telefonemas; Marina, de quem me tornei fã pela simpatia, inteligência e simplicidade e que me proporcionou assistir à defesa de sua tese de doutorado, última orientação do Prof. Uchôa, na UFF. E Cláudia??? Sempre com um enorme sorriso, com ar de quem está sempre pronta para alguma festa. E conheci Rita, de quem já havia ouvido falar, mas não tinha tido a oportunidade de conversar mais calmamente. Já sou fã! O Liceu proporcionou isso, alunos de turmas diferentes que continuam em contato sempre e já formaram uma boa amizade. É um grupo tão especial, que estamos querendo fazer algo juntos. Um grupo de estudos, talvez. Se não houver espaço disponível para isso, o Prof. Rosalvo citou as aulas peripatéticas de Aristóteles, nas quais os alunos aprendiam caminhando com o mestre. Ai, Meu Deus, estar entre esse povo é “sorver” sabedoria!!! Obrigada, sempre, por essas oportunidades.

Eu e Professor Uchôa

Eu, Professor Rosalvo e Professor Uchôa

Bolsa "jóia" 15/80

Bolsa confeccionada com a técnica do rag quilt, reciclando retalhos, argolas retiradas de gargalo de refrigerante, flor com fita de cetim e, para "amarrar" esta peça, uma fitinha de uma embalagem da Vivara. Por isso o nome "jóia"...rs

Detalhe da flor de fuxico com fita de cetim.

Detalhe do reaproveitamento da fita da Vivara. É isso aí, nada vai para o lixo, ainda mais uma fita linda dessas... (mas não fui eu que ganhei a jóia...sniffff)

Filho ingrato...

Na coluna Gente fina, da Revista do Jornal O Globo, edição de ontem, 31 de agosto de 2008, Bruno Drummond faz uma piada com sogra e nora. Ri muito. Li para o marido e liguei rápido para um dos filhos e a nora e rimos outro tanto. O outro filho e a norinha estavam no cinema e não pude falar com eles também. Bem, é mais ou menos isso: a mãe, dedicada, premia o filho a cada realização dele ( ou dela?) - término do curso de inglês, Disney; aprovação no vestibular, super computador; formatura, carro zero. E ela, com a mão no peito diz que ele agora vai se casar e (como “prêmio”!!!!), vai dar-lhe uma nora... E a amiga retruca: “filho ingrato...”
Pois é, esta é a visão que muitos têm da relação sogra-nora. Visão que não compartilho porque tive uma sogra que foi uma amiga durante toda a minha vida. E mamãe foi, para o meu marido e para minhas cunhadas, uma sogra maravilhosa. Foi uma segunda mãe, na realidade. Então não fui criada com esse preconceito. Meus filhos têm o exemplo e desejo que encarem a nova família como eu encaro . Nora, para mim, é alguém que entra na minha família e torna-se filha, porque traz felicidade, faz o meu filho feliz. Se acontece algo que não me agrada, porque ninguém é perfeito e eu não sou tão idiota assim de não perceber que pode acontecer algo que eu não aprecie, ou melhor, algo que não seja legal para o relacionamento deles, tento não me intrometer. Ai meu Deus, eu disse tento????? Aiiiiii.... tenho de corrigir: eu não me intrometo. Tenho de afirmar isso com letras maiúsculas: EU NÃO ME INTROMETO... EU NÃO ME INTROMETO...EU NÃO ME INTROMETO...Ufa.....e vocês podem cobrar, viu?
Mas tenho de lembrar que é sempre complicado um relacionamento, qualquer relacionamento, porque as pessoas são diferentes, somos criados de formas diferentes, criamos filhos de formas diferentes. SE não houver uma tolerância, realmente, não vai haver paz. E eu sou a favor da paz, sempre. Não gosto de discussões e agressividade, prefiro a conversa. Não sou santa, nem tenho sangue de barata, mas a vida é deles. Não vou poder estar por perto pra ajudar, ou até mesmo atrapalhar, a vida toda. Então, a vida é deles. Posso orientar, se solicitada, mas não posso impor minha opinião.
Nossa, quantos nãos eu deixei aí em cima.... Como professora de português, apreciadora da língua portuguesa, vou refazer este último parágrafo num exercício de reescrita, que indicamos aos alunos, e até mesmo para mudar um pouco a forma de encarar uma relação tão delicada...
“Os relacionamentos podem ser complicados porque as pessoas são únicas, criadas de formas diferentes, têm conceitos diferentes. Porém, sou a favor da tolerância, que proporciona a paz. A conversa é sempre mais profícua que a discussão ou a agressividade. E, mesmo percebendo atitudes que , para mim, seriam desnecessárias, reconheço que a vida é deles. Posso orientar, se solicitada, mas sem me tornar imprescindível ou, até mesmo, constante, porque, aqui, a vida é breve.”
Pronto, agora estou preparada para as pedradas...Mas com escudo, claro, o escudo do amor que nutro por essas pessoinhas maravilhosas que povoam o meu universo e que trazem ao meu convívio outras pessoas igualmente especiais, numa troca maravilhosa de experiência, energia, alegria e amor.